Clericalismo – Wikipédia, a enciclopédia livre

Clericalismo é o poder do clero na vida social, política e econômica.[1]

O clericalismo é a conduta política que o clero de uma determinada religião manifesta para favorecer seus interesses institucionais e materiais com o objetivo de incrementar seu poder.

Geralmente está acompanhado de uma atitude de hostilidade e negação do estado laico o qual é visto como promotor da perda de prestígio e poder do clero e dos valores tradicionais defendidos pela religião.

O Papa Francisco , em seu discurso no Sínodo de 2018, descreveu o clericalismo assim:

O clericalismo surge de uma visão elitista e exclusivista da vocação, que interpreta o ministério recebido como um poder a ser exercido e não como um serviço gratuito e generoso a ser prestado. Isto leva-nos a acreditar que pertencemos a um grupo que tem todas as respostas e que já não precisa de ouvir ou aprender nada. O clericalismo é uma perversão e é a raiz de muitos males na Igreja: devemos humildemente pedir perdão por isto e acima de tudo criar as condições para que não se repita.[2]


Na época da Idade Média, o clero tinha privilégio e prestígio na sociedade feudal, porque diziam-se fazer ligação entre Deus e os seres humanos.[1] O clero era, na Idade Média, todo o extracto social associado ao culto religioso, nomeadamente o cristão.[1]

O clericalismo moderno renasceu na Itália, quando o Papa Pio IX (1846-1878) promulgou o Syllabus (1864), considerando-se um prisioneiro do recém-nascido Estado italiano. Condenou todos os aspectos do Liberalismo e do Modernismo, dando vida aos movimentos do catolicismo intransigente que se recusaram a reconhecer o novo Reino da Itália.

Com a Encíclica Rerum Novarum ("Sobre as Coisas Novas"), o Papa Leão XIII (1891) mostrou seu repúdio ao Capitalismo e ao Socialismo, seu pouco entusiasmo pela Democracia e afirmou que as classes e desigualdades sociais constituem traços inalteráveis da condição humana, assim como os direitos de propriedade, inspirando o surgimento de correntes e partidos políticos como a Democracia Cristã e as chamadas Uniões Católicas, ao lado de outros movimentos reacionários, como o a Ação Católica na França.

Referências

  1. a b c Guimarães, Jabesmar Aguiar. «A liderança da igreja e o clericalismo». www.obreiros.com. Obreiros. Consultado em 30 de janeiro de 2018 
  2. NULL (3 de Outubro de 2018). «Pope Francis' Address to the Synod Fathers at Opening of Synod2018 on Young People, the Faith and Vocational Discernment». ZENIT (em inglês)